Matão apela a Promotoria para que Araraquara cumpra plano SP

Município questiona funcionamento de barbearias e academias em descordo com a fase laranja do plano estadual

As prefeituras de Matão e Araraquara travam uma espécie de queda de braços por causa da flexibilização da economia em meio à pandemia do novo coronavírus. É que a gestão da Terra da Saudade foi ao Ministério Público pedir para que a Morada do Sol cumpra o que está previsto no Plano São Paulo, onde estão previstas medidas de enfrentamento da covid-19 em todo o Estado.

Segundo o prefeito de Matão, Edinardo Esquetini (PSB), o município questiona a Promotoria Pública e a Procuradoria Geral do Estado o porque municípios que compõe o Departamento Regional de Saúde III (DRS-III) podem ter decisões diferentes em relação ao Plano São Paulo e Araraquara pode manter abertas academias e barbearias.

“Estamos sendo questionados diante dos nossos comerciantes, prestadores de serviço de Matão do porque um cabeleireiro não pode cuidar da higiene pessoal, não pode cuidar das pessoas e Araraquara pode. Esse é um questionamento constante que eu tenho na rua, então nós resolvemos entender essa situação, pois se o plano São Paulo para Matão e Araraquara é fase laranja, porque um tem que manter fechado e o outro aberto?”, questiona Esquetini.

Ainda de acordo com o prefeito matonense, se Araraquara criou protocolos para manter o funcionamento de salão de beleza, cabeleireiro e academias, seu município também poderia se valer dos protocolos, já que são cidades vizinhas e estão há cerca de 30 quilômetros de distância. Acontece que, 

“Sempre temos intuito de preservar vidas e se Matão tem que cumprir esses protocolos, nós também temos que preservar a vida das pessoas de Araraquara, pois somos cidades vizinhas entrelaçadas, muitas pessoas de Matão trabalham em Araraquara, assim como muitas pessoas de lá trabalham aqui. Então uma grave contaminação lá automaticamente contamina aqui e vice-versa”, diz.

Por meio de nota, a Prefeitura de Araraquara classifica a iniciativa matonense como um ato impulsivo e pouco reflexivo, isolado, diante do sentimento da maioria da população. A nota diz ainda que o município tem tomado todas as medidas de enfrentamento à covid-19, sendo inclusive referência para todo o estado de São Paulo.

“Temos ainda a certeza que essa ação desagregadora e pouco fraterna não reflete o pensamento do povo irmão da Terra da Saudade. Da nossa parte, reafirmamos a nossa disposição de continuarmos agregando forças para derrotarmos o coronavírus na nossa região. Acreditamos que quando se trata de saúde pública tem que se fugir de toda politização. O que deve nos unir é um único objetivo: salvar vidas. Desta forma, queremos afirmar que as estruturas montadas pela Prefeitura de Araraquara continua a disposição do poder público de Matão, caso a população matonense assim necessitar”, diz um trecho da nota.  

Confira a íntegra do posicionamento de Araraquara: 

A Prefeitura de Araraquara informa que suas medidas graduais de flexibilização da economia, amplamente dialogadas com o Comitê de Contingência do Coronavírus, com setores econômicos (patronais e trabalhadores) e com Ministério Público, são correspondentes e vão ao encontro de suas ações responsáveis na área da saúde, bem como a toda estrutura organizada na cidade, as quais hoje oferecem segurança e retaguarda no enfrentamento ao coronavírus, inclusive não só à população de Araraquara, mas também de toda a região. O Polo de Atendimento (Central de Triagem na Vila Xavier) e o Hospital da Solidariedade (Hospital de Campanha), por exemplo, têm sido colocados à disposição de toda a região e várias cidades têm encaminhado pacientes para o atendimento nessas unidades.  

Não à toa, Araraquara é citada como referência no combate à Covid-19 por diversas mídias nacionais e, inclusive, pelo próprio Governo do Estado que, no dia de ontem, 14 de julho, em sua coletiva à imprensa, enalteceu a cidade como a 1ª do estado de São Paulo com menor taxa de letalidade pelo vírus – a cidade tem uma taxa de 1,17% em cada 100 mil habitantes, seguida de Taubaté 1,8% e Bauru 2,6%, enquanto o estado de São Paulo tem 4,8%. 

Hoje, a cidade vivencia essa situação diferenciada graças ao trabalho realizado desde a primeira quinzena de março, quando ainda não se tinha nenhum caso positivado, tais como: a criação precoce do Comitê de Contingência da doença; a criação do Disque-Saúde, o nosso 0800, para que a população tivesse acesso à triagem por tele-atendimento, com médicos da rede básica e estudantes e professores do Curso de Medicina da Uniara.
Também em março, antes mesmo do primeiro caso ser registrado, já contávamos com equipe de bloqueio e isolamento de casos suspeitos. Hoje, o bloqueio e o monitoramento são realizados em todos os suspeitos e positivados, bem como familiares e comunicantes. 
 

Expandimos os horários de atendimento até às 20 horas em seis das nossas unidades de saúde, em regiões estratégicas, a fim de contribuir para o não colapso do atendimento nas UPAS, bem como proteger a população e oferecer horários alternativos de consulta. 

Estruturamos, como dito acima, a nossa UPA, junto com a Igreja Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, criando ali um verdadeiro complexo de acolhimento, atendimento e centro de triagem de pacientes sintomáticos do coronavírus. O complexo conta com 9 leitos de UTIs e 19 de enfermaria.  

Numa parceria com a Unesp Araraquara, conseguimos dar vazão a um dos principais problemas que nos deparamos no início da pandemia: a demora do resultado da testagem. Conseguimos ampliar e dar agilidade nos exames e isso favoreceu as medidas de prevenção que a cidade poderia tomar. E não parou aí. A parceria com a Uniara para o chamado inquérito sorológico (saber por onde o vírus já circulou) também garantiu a cidade o posto de uma das que mais testam no Brasil. Nossa política de testagem está acima da média estadual, nacional e inclusive de países referência no enfrentamento ao coronavírus como a Coreia do Sul. Matéria do Estadão publicada em 26 de junho deste ano trata sobre isso.  

Araraquara tem hoje a marca de 5.053 testes para cada 100.000 habitantes. 

A criação do Hospital da Solidariedade, construído em cinco semanas, que é o único hospital de campanha de toda a região, um dos poucos do interior de São Paulo, nos deu uma expansão de leitos, o que nos dá segurança e garantias para a nossa população que venha a ser contaminada. Somente lá temos 20 leitos de UTI e 31 de enfermaria. O Hospital possibilitou que a cidade adotasse recentemente o protocolo da internação preventiva para pacientes positivados com mais de 45 anos ou com qualquer idade, porém com comorbidades. Vale ressaltar que das 48 internações desta quarta-feira, 18 eram de pacientes vindos de fora, de outras cidades.  

Para além da saúde, criamos uma rede de assistência à população em alta situação de vulnerabilidade, por meio de um 0800. Com a Rede (que recebe inúmeras doações) e com a secretaria da Educação, conseguimos assistir com alimento de qualidade mais de 17 mil famílias. Além disso, garantimos atendimento psicológico por telefone a toda a população. No caso dos servidores que estão na linha de frente, além da testagem, propiciamos canais de atendimento psicológicos direcionados, bem como a possibilidade de hospedagem em hotel, a fim de proteger seus familiares.  

Todas essas iniciativas, dentre outras não citadas aqui, dão condições para que Araraquara possa, com responsabilidade e segurança, cumprir o decreto do Governo do Estado e propiciar a flexibilização e a retomada gradual das atividades econômicas. Portanto, Araraquara tem estrutura e tem condições de cuidar da vida da nossa população porque fez a lição de casa.  

Vale dizer ainda que todas as medidas foram feitas da forma mais democrática e transparente possível. Toda vez que existe alguma mudança de orientação por parte do Governo do Estado, nós não fazemos absolutamente nada de cima para baixo, não fazemos nada sem estarmos dialogando com a população, com as entidades representativas do empresariado, as entidades representativas dos trabalhadores e, também, com o Ministério Público, que é quem tem a responsabilidade de fazer a defesa dos direitos difusos da sociedade.  

Assim, a Prefeitura de Araraquara age com diálogo, com muita democracia, respeitando as entidades representativas da nossa cidade e, principalmente, age com seriedade, garantindo a segurança da saúde da população neste que é um dos momentos mais difíceis já vividos pela região, pelo estado, pelo Brasil e pelo mundo. 

Por fim, vale ressaltar que acreditamos ter sido essa iniciativa da Prefeitura de Matão um ato impulsivo e pouco reflexivo, isolado, diante do sentimento da maioria da população. Temos ainda a certeza que essa ação desagregadora e pouco fraterna não reflete o pensamento do povo irmão da Terra da Saudade. Da nossa parte, reafirmamos a nossa disposição de continuarmos agregando forças para derrotarmos o coronavírus na nossa região. Acreditamos que quando se trata de saúde pública tem que se fugir de toda politização. O que deve nos unir é um único objetivo: salvar vidas. Desta forma, queremos afirmar que as estruturas montadas pela Prefeitura de Araraquara continua a disposição do poder público de Matão, caso a população matonense assim necessitar.

(A Cidade On Araraquar)

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