Últimos 5 anos são os mais quentes da história, diz ONU

Documento aponta para a distância cada vez maior, que separa os objetivos estipulados para conter a mudança climática, da realidade atual

O período compreendido entre os anos de 2015 e 2019 deve ser transformar no intervalo de cinco anos com a maior média de temperatura da história, segundo aponta relatório sobre meio ambiente que será apresentado na Cúpula do Clima da ONU, nesta segunda-feira (23).

A temperatura média global de 2015 até este ano, por exemplo, está 1,1 grau centígrado acima da era pré-industrial, ou seja, entre o período compreendido entre 1850 e 1900, além de 0,2 grau centígrado acima do registrado entre 2011 e 2015.

Isso vem provocando o derretimento das geleiras, em um ritmo de 12% a cada década, em dados registrados entre 1979 e 2018.

O relatório que será apresentado na Cúpula do Clima da ONU aponta que a expansão do gelo marinho, durante o inverno, mostrou os números mais baixos durante quatro anos consecutivos, entre 2015 e 2019.

Dessa forma, o aumento do nível do mar acelerou de 3,04 milímetros ao ano, registrados entre 1997 e 2006; para quase 4 milímetros entre 2007 e 2016. Além disso, a acidez dos oceanos aumentou 26%, desde o início da era industrial.

O documento também fala que a presença dos principais gases causadores do efeito estufa, o dióxido de carbono, o metano e o óxido nitroso vem crescendo em níveis alarmantes; e que apesar do crescimento do uso de energia renovável, os combustíveis fósseis seguem dominando o sistema energético global.

Em 2018, segundo o “Unidos na Ciência”, foram emitidas 37 mil toneladas de gás carbônico (CO2), um número recorde, e a concentração era de 407,8 partes por milhão (ppm), enquanto os dados preliminares de coleta deste ano, apontam que pode ser superada a marca de 410 ppm.

A última vez que foi registrada concentração de CO2 de 400 ppm foi há cerca de 3 a 5 milhões de anos, aponta o relatório, quando a temperatura global era cerca de 3 graus centígrados mais alta que a atual, as camadas de gelo da Groenlândia e da Antártida derreteram, e levaram a aumento do nível do mar em mais de 10 metros.

A estimativa é de que, com as contribuições firmadas no Acordo de Paris, a temperatura média aumentaria entre 2,9 e 3,4 graus, apesar dos analistas apontarem que não deveria subir mais do que 1,5 grau.

Para não superar este número, as propostas dos países para conter a mudança climática deveriam ser multiplicadas por cinco, segundo aponta o documento, ou por três, peo menos, que não o não se chegue a 2 graus de aumento.

O relatório foi elaborado para ser apresentado na Cúpula do Clima das Nações Unidas, que acontecerá nesta segunda-feira, e visa oferecer uma análise unificada do estado do planeta, sob a influência da mudança climática.

A confecção do documento foi feita pela Organização Meteorológica Mundial, a partir das informações oferecidas por oito agências internacionais, para serem entregues a líderes de todos os países do planeta.

“Os dados científicos apresentados no relatório representam a informação mais atualizada sobre a mudança climática”, aponta o Grupo Assessor Científico da ONU.

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