Restauro do armazém ferroviário de São Carlos resgata memória e devolve espaço à comunidade
Um dos últimos remanescentes da era de ouro das ferrovias no interior paulista, o Armazém Ferroviário de São Carlos, conhecido como Barracão, será restaurado e readequado para novos usos culturais e educativos. O projeto, desenvolvido pela Forlight Arquitetura Restauração e Iluminação e aprovado pelo governo de São Paulo, sob a coordenação da Fundação Pró-Memória, busca preservar a memória ferroviária e transformar o espaço em polo cultural integrado, aberto à comunidade.
Inaugurado em 1884 pela Companhia Paulista de Estradas de Ferro, o armazém foi construído para atender à crescente demanda de escoamento da produção agrícola, especialmente o café. Com 100 metros de comprimento e 28 de largura, sua arquitetura em tijolos aparentes, estrutura metálica e cobertura de duas águas com grandes beirais remete à tradição industrial inglesa adaptada ao contexto paulista.
Desde a desocupação em 2000, o imóvel não recebeu manutenção e entrou em processo de degradação acelerada. Telhas comprometidas, madeiras apodrecidas, pilares metálicos oxidados e pisos severamente danificados compõem o diagnóstico técnico. A falta de conservação levou à perda de elementos originais e à fragilidade estrutural, tornando o restauro urgente para evitar a perda definitiva de um patrimônio histórico da cidade.
O projeto prevê intervenções arquitetônicas e estruturais como a substituição integral das telhas francesas cerâmicas, reforço dos pilares metálicos, consolidação da alvenaria de tijolos e do alicerce de pedra. Além da preservação física, o espaço será requalificado para abrigar auditórios, salas de exposições, oficinas e um Centro de Memória Ferroviária, em diálogo com o Museu de São Carlos e a Fundação Pró-Memória.
A proposta também contempla acessibilidade universal, com rampas, passarela metálica, banheiros adaptados, sinalização tátil e recursos de audiodescrição, além de integração urbana com a criação de uma praça junto ao viaduto e novos acessos para pedestres.
A responsável técnica do projeto, a arquiteta Fabiana Purchio, revelou que a primeira etapa do projeto começou em 16 de maio, quando houve a realização do escaneamento a laser e a fotogrametria por drone. “A integração desses dados é que vai gerar o modelo do gêmeo digital, que é o modelo virtual do edifício com precisão milimétrica. Ainda teremos alguns meses até a finalização da modelagem 3D, a partir da nuvem de pontos, e o início da próxima etapa, que é o projeto das intervenções que requalificarão o imóvel histórico para o novo uso”, afirmou.
Para a presidente da Fundação Pró-Memória de São Carlos, Maria Isabel Alves Lima, o restauro pretende devolver o armazém à cidade como espaço vivo e dinâmico. “O objetivo é transformar o espaço em referência cultural e educativa, fortalecendo a identidade comunitária”, destacou.






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