Assistente Social de Munique apresenta modelo de atendimento integrado em São Carlos
A assistente social Lívia Aroca Taubmann, natural de São Carlos e moradora da Alemanha há 20 anos, apresentou nesta sexta-feira (09/10) o modelo de atendimento social de Munique a profissionais da rede de assistência do município. A palestra, no auditório do Paço Municipal, reuniu assistentes sociais da gestão pública e de entidades, além de servidores da Secretaria de Desenvolvimento Social e Cidadania.
Servidora da Prefeitura de Munique há 15 anos, Lívia disse que o encontro, chamado “Diálogos da Prática: Experiências em Serviço Social — São Carlos e Munique (Alemanha)”, serviu para comparar as realidades das duas cidades e pensar novos projetos para pessoas em situação de vulnerabilidade. Ela afirmou ter achado “muito interessante” ver como funciona o serviço social em sua cidade natal e elogiou os profissionais locais.
Segundo ela, a maior diferença está nos 12 centros chamados Sozialbürgerhäuser (SBH), que reúnem sob o mesmo teto apoio financeiro, assistência social, moradia, conselho tutelar, curatela e atendimento a usuários de drogas, entre outros serviços. O objetivo é evitar que o cidadão percorra vários órgãos para resolver problemas diferentes. A unidade responsável depende do endereço residencial, e profissionais de diferentes áreas trabalham de forma interdisciplinar, cruzando informações e coordenando os auxílios. Um dos objetivos centrais do modelo é o Sozialer Frieden, a paz social: com as necessidades básicas atendidas e as pessoas integradas, aumentam a estabilidade e a harmonia.
Em um Estado de bem-estar social “muito bem financiado”, os maiores desafios de Munique não são a falta de recursos básicos, e sim a crise imobiliária, a integração de imigrantes e refugiados e o envelhecimento da população. Lívia apontou que o trabalho é focado na gestão individual de casos, e não na abordagem comunitária e na defesa de direitos.
A apresentação também mostrou a Betreuungsstelle, órgão que prepara os processos de curatela: investiga a situação da pessoa, avalia se há alternativas, como apoio familiar ou procurações, e elabora relatório para o juiz, além de orientar e capacitar curadores. A curatela deve ser usada como último recurso, respeitando o princípio da proporcionalidade. A cidade conta ainda com 34 Centros de Apoio e Serviços para Idosos (ASZ), com atividades sociais, aconselhamento e almoço comunitário, e com serviço gratuito para pessoas que usam a Língua de Sinais Alemã.
A palestra abordou as salas de consumo de drogas, espaços autorizados e supervisionados voltados à redução de danos. Em Munique não há nenhuma em funcionamento, pois esse tipo de instalação ainda é proibido por lei no estado da Baviera. Segundo os dados apresentados, a Alemanha tinha 33 salas em 2024.
Para a secretária de Desenvolvimento Social e Cidadania, Gisele Santucci, a troca de experiências fortalece o aprimoramento das políticas públicas no município. “Conhecer diferentes modelos de atendimento social amplia nosso olhar e nos ajuda a refletir sobre novas estratégias para qualificar ainda mais os serviços oferecidos à população. Esse diálogo entre realidades distintas, como as de São Carlos e Munique, é extremamente enriquecedor para os profissionais da rede e para a construção de soluções voltadas às pessoas em situação de vulnerabilidade”, destacou a secretária.






“