Força de trabalho brasileira envelhece e muda desafios para empresas e políticas públicas
Dados do IBGE mostram predominância de trabalhadores com 40 anos ou mais e reforçam necessidade de adaptação do mercado, aponta Informativo Econômico da ACISC
O mercado de trabalho brasileiro passa por uma transformação silenciosa, porém profunda: o envelhecimento da força de trabalho. É o que revela o Informativo Econômico da ACISC, divulgado nesta sexta-feira (23), com base em dados do IBGE referentes ao terceiro trimestre de 2025.
Segundo o levantamento, a maior parcela das pessoas economicamente ativas no Brasil está concentrada nas faixas etárias mais elevadas. Trabalhadores com 40 anos ou mais representam 53,1% do total da força de trabalho. Apenas a faixa de 40 a 59 anos responde por 32,8%, enquanto pessoas com 60 anos ou mais somam 20,3%. Já os jovens entre 14 e 17 anos representam 6,8%, e aqueles de 18 a 24 anos, 12,2%.
O estudo destaca que a composição etária da força de trabalho é um fator relevante tanto para o desempenho econômico das empresas quanto para o ambiente social das cidades. Na perspectiva microeconômica, a combinação entre trabalho e capital, aliada à qualificação dos trabalhadores e à experiência dos empresários, influencia diretamente a produtividade, a rentabilidade dos investimentos e a competitividade dos negócios, inclusive no comércio internacional.
Do ponto de vista macroeconômico, o desempenho do trabalho e do capital impacta o crescimento econômico e os saldos da balança comercial, fundamentais para o desenvolvimento regional e nacional. Já na dimensão social, características como idade, tipo de ocupação, rendimento e grau de instrução ajudam a definir o perfil econômico e social dos municípios brasileiros.
Para a presidente da ACISC, Ivone Zanquim, os dados reforçam a necessidade de planejamento estratégico por parte das empresas. “O empresário precisa olhar com atenção para esse cenário. O envelhecimento da força de trabalho exige ambientes mais inclusivos, políticas de valorização da experiência e, ao mesmo tempo, ações que incentivem a qualificação e a permanência produtiva desses profissionais”, afirma.
O economista do Núcleo Econômico da entidade, Elton Casagrande, ressalta que o tema vai além do mercado imediato. “A renda do trabalho é determinante no curto prazo para o padrão de consumo das famílias, mas no longo prazo a discussão central passa pela seguridade social e pela aposentadoria. Com o avanço do envelhecimento populacional, o ambiente de negócios precisa se adaptar para garantir ganhos reais de renda hoje e benefícios sustentáveis no futuro”, analisa.
O Informativo Econômico conclui que, diante do envelhecimento progressivo da população, o mercado de trabalho e as empresas brasileiras terão de se ajustar para assegurar produtividade, crescimento econômico e bem-estar social, equilibrando renda presente e segurança futura.




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