São Carlos realiza 2º encontro interprofissional para o enfrentamento da Tuberculose
O auditório do Museu da Ciência “Mário Tolentino” recebeu, na tarde desta quinta-feira (19/03), o 2º Encontro Interprofissional para o Enfrentamento da Tuberculose, promovido pela Secretaria Municipal de Saúde, por intermédio do Centro de Atendimento de Infecções Crônicas (CAIC), iniciativa que reuniu profissionais da saúde, pesquisadores e gestores para discutir estratégias de diagnóstico, tratamento e prevenção da doença em São Carlos.
A coordenadora do CAIC, Cíntia Martins Ruggiero, destacou que o objetivo principal do encontro é informar e sensibilizar tanto a população quanto os profissionais de saúde sobre a importância do diagnóstico precoce e da adesão ao tratamento. “Hoje temos 45 pacientes em acompanhamento e já registramos 16 novos casos apenas neste ano. É fundamental lembrar que a tuberculose não foi erradicada e continua sendo uma preocupação de saúde pública”, afirmou.
O evento também contou com a participação do professor titular da Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto da USP e presidente da Rede Brasileira de Pesquisa em Tuberculose, Ricardo Alexandre Arcêncio. Ele ressaltou que a tuberculose ainda é considerada uma doença negligenciada, especialmente em países com altos índices de desigualdade social, como o Brasil. “Estamos na 19ª posição mundial em número de casos. O Estado de São Paulo concentra grande parte deles, e municípios do interior, como São Carlos, são considerados prioritários no combate à doença”, explicou.
Arcêncio lembrou que o tratamento disponível é o mesmo há mais de 40 anos e que a falta de interesse da indústria farmacêutica em desenvolver novos medicamentos reflete a negligência em relação à doença. Ele também alertou para a necessidade de maior capacitação dos profissionais de saúde, já que o tema ainda é pouco abordado na formação acadêmica.
“A tuberculose é uma doença antiga, mas que continua exigindo atenção permanente. Os dados apresentados hoje mostram que precisamos manter um olhar atento, especialmente para o diagnóstico precoce e para a adesão ao tratamento. Cada paciente acompanhado representa uma vida que precisa de cuidado, acolhimento e acompanhamento contínuo. Do ponto de vista da Vigilância em Saúde, nosso papel é fortalecer as estratégias de identificação dos casos, ampliar a busca ativa de sintomáticos respiratórios e garantir que a informação circule de forma clara e acessível, tanto para os profissionais quanto para a população”, ressaltou a diretora de Vigilância em Saúde, Denise Martins Gomide.
Entre os sintomas que devem chamar a atenção da população estão tosse persistente por mais de duas semanas, perda de peso e falta de apetite. O professor reforçou que qualquer unidade de saúde do SUS está preparada para realizar o diagnóstico e oferecer tratamento gratuito.






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