A CIÊNCIA ESTÁ DE LUTO- MUSEU NACIONAL DO RIO DE JANEIRO EM CHAMAS.

Um incêndio de grandes proporções atinge o Museu Nacional, na Quinta da Boa Vista, em São Cristóvão, na noite deste domingo. De acordo com o Corpo de Bombeiros, cerca de 50 homens de três quarteis estão no local combatendo as chamas desde as 19h. Vigilantes teriam visto um clarão no 1º andar pouco antes de o fogo começar. Parte do interior do edifício ja desabou.

A assessoria do Museu Nacional informou que ainda não está claro o que deu início ao incêndio, sendo necessário esperar o trabalho dos bombeiros para obter mais informações. Embora domingo seja um dia de visitações frequentes, o museu fechou às 17h e, após este horário, não havia mais ninguém no local além dos funcionários de segurança. No momento em que as chamas começaram a se alastrar, quatro vigilantes estavam no prédio. Os militares estão em contato com as concessionárias para cortar o gás e os escapes que possam alastrar ainda mais o fogo. Há um revezamento de caminhões pipa para dar conta do combate às chamas. Uma das preocupações é que a fumaça afete a saúde de animais do Zoológico do Rio (Rio Zoo).

Os três andares do museu — fundado em 1818 por D. João VI e desde 1946 vinculado à Universidade Federal do Rio de Janeiro — abrigavam um acervo de 20 milhões de itens, incluindo documentos da época do Império; fósseis; coleções de minerais; artefatos greco-romanos; e a maior coleção egípcia da América Latina. Dentre seus itens mais conhecidos, estavam o esqueleto de um dinossauro encontrado em Minas Gerais e o mais antigo fóssil humano descoberto no atual território brasileiro, batizado “Luzia”. Trata-se da instituição científica e do museu mais antigos do Brasil, tendo neste ano completado seu bicentenário. A visitação média mensal é de 5 a 10 mil pessoas.

— Náo temos ideia de como começou! Está chegando muita gente que trabalha aqui. É muito amor por essa instituição, são 200 anos do museu, isso aqui é o trabalho da vida de muita gente, são coleções zoológicas, botânicas, tudo perdido, tudo perdido! — lamentou Lilian, bióloga e pesquisadora do museu, aos prantos.

Muito emocionada, a vice-diretora do Museu Nacional, Cristiana Cerezo, atirou-se ao chão quando chegou ao local. Ela afirma que havia muitos produtos inflamáveis no interior do prédio.

— Tínhamos um plano para retirar essas substâncias do museu, mas infelizmente esta tragédia aconteceu antes — disse. — Estávamos trabalhando com a atualização da prevenção de incêndio, realizando treinamentos, é muito triste.

O funcionário Henrique Barbosa, que há dois anos trabalha no setor financeiro do prédio, também não conseguiu esconder a tristeza.

— Eu soube que acabou o museu! É uma comoção muito grande!

Vera Tostes, museóloga que dirige o Museu do Instituto Histórico Nacional e já dirigiu um outro museu muito importante, o Museu Histórico Nacional, definiu a perda como incalculável:

— Eu estou arrepiada! É uma perda incalculável! Estas estruturas dos palácios mais antigos têm muita madeira. Tudo pega fogo muito facilmente. Eu estou tão emocionada que não consigo falar. Parece que atingiu a sala dos embaixadores, a parte onde ficavam as múmias… Não tem como dizer em cifras o que está acontecendo!

(O Globo)

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