São-carlense ficou entubado por 39 dias e chegou a ser desenganado pelos médicos

“Meu pai era teimoso e não acreditava. Mas conheceu a doença da pior forma”, revelou a emocionada filha. “Graças a Deus ele se recuperou”

O mestre de obras Elias de Oliveira, 64 anos, após uma árdua batalha, venceu a Covid-19. O são-carlense, porém, foi uma das pessoas que não acreditava na doença e era teimoso. As revelações foram feitas pela própria filha.. O pai chegou a ficar 39 dias entubado na UTI Covid do Hospital Universitário, entre a vida e a morte e em várias oportunidades chegou desenganado pelos médicos que o assistiam.

Após ter alta e em casa, com a esposa Sirlei Amâncio Oliveira, 46 anos, com o filho Leonardo, 26 anos e com a sogra Vera Amâncio, 69 anos (todos também tiveram diagnóstico positivo para o Sars-CoV-2), uma das filhas contou a luta pessoal de Elias e de toda a família pelo seu restabelecimento.

Pai de Juliana Fernanda, Elaine Cristina, Tiago Fernando, Moisés e Sara, além de avô de Felipe, Leonardo, Taís, Lorena, Lucas, Ana Júlia, Francisco, João, Miguel, Daniel, Vitória, Ana Laura, Brayan, Brenda e Bianca e bisavô de Nicolas e de Mariana (que ainda está a caminho), Elias agora convalesce da grave infecção que acometeu seu organismo.

CONTAMINAÇÃO EM ÁGUA VERMELHA

Com 64 anos e integrante do grupo de risco da Covid-19, Elias tinha comorbidades, como diabetes e hipertensão. Como mestre de obras, não parou durante a pandemia desde março trabalhava normalmente em São Carlos e nos distritos de Santa Eudóxia e Água Vermelha onde acredita ter sido infectado pelo novo coronavírus. “Ele cumpria todas as normas de segurança. Usava máscara, mas era teimoso e não acreditava na doença”, explicou Juliana.

Segundo ela, Elias começou a apresentar sintomas no dia 7 de outubro. “Parecia ser um resfriado, pois tinha coriza e dores na garganta. Foi na UPA do Santa Felícia e o médico o diagnosticou como uma gripe”. Elias retornou para sua casa e no dia 11 de outubro passou a sentir febre, mas não foi no médico e no dia 16 fez um teste em uma farmácia e deu negativo para a Covid-19. “Mas no dia seguinte perdeu o apetite e passamos a pegar no seu pé. No dia 17 meu pai retornou à UPA Santa Felícia e recebeu uma guia para fazer um teste na UBS do nosso bairro, no dia 19”, afirmou Juliana.

O medo e a preocupação aumentaram no dia 20 quando o resultado atestou que Elias estava com a infecção. “Nesta época ele estava com febre alta, dores pelo corpo e vivia deitado, sem disposição. Levamos ele até a UPA Santa Felícia onde foi feita radiografia do pulmão e mostrou que o órgão estava comprometido. Foi encaminhado para o Hospital Universitário para ser internado”, continuou Juliana.

A situação da saúde do mestre de obras piorou e necessitou ser entubado no dia 21. Quatro dias após houve uma tentativa de retirar o aparelho, mas Elias não tinha forças para buscar o ar. Com um quadro de pneumonia bacteriana grave, originário da Covid, ficou por 39 dias entubado.

“A partir daí foi uma luta pela vida. Os médicos diziam que meu pai não reagia aos medicamentos. Várias vezes foi desenganado. Para nós, filhos, restaram rezar, pedir a Deus e ter fé em sua reabilitação”, disse aos prantos. “Foram 39 dias de desespero, angústia. A gente não tinha notícia boa. Acho que cheguei até a esgotar a cota de lágrimas”, comentou, emocionada.

Porém, no dia 7 de dezembro, após uma milagrosa recuperação e ficar dez dias na enfermaria, Elias teve alta e retornou para casa. Se antes a sensação dos filhos, netos, bisnetos e esposa era de impotência, tudo se transformou.

“Foi nosso presente de Natal antecipado. Um renascimento, uma mistura de alegria e esperança”, garantiu Juliana, salientando que Elias ainda não anda, usa sonda e está com a mente confusa, sequelas da infecção. “Queria deixar uma mensagem a todas as pessoas: tem gente que não acredita na doença, mas a doença acredita na gente. Tem que tomar cuidado. Ela é perigosa. Todos têm que se cuidar ao máximo. Não sejam teimosos como meu pai”, orientou.

Indagada sobre o legado que este grave episódio deixou na família, Juliana ponderou. “Nunca perca a fé em Deus. Acredite sempre. Meu pai lutou e venceu a doença e tenho certeza que ele mudará muitos conceitos em sua vida. Falo isso porque vi ele na UTI e conversei depois que ele estava na enfermaria. Ele dá mais valor para a vida. Pedi para que ele lute pelos filhos e netos. Falo isso com nó na garganta. Estou com o coração apertado, mas de felicidade”, contou. “Esta doença destrói a pessoa. Não queiram pagar para ver”, emendou.

AGRADECIMENTOS ETERNOS

Por fim, Juliana frisou que necessitaria deixar público um agradecimento especial a todos os médicos e enfermeiros que cuidaram do seu pai durante a estadia no HU.

“Eles foram anjos em forma de gente. Foram de uma atenção ímpar, um carinho e dedicação. Meu pai lutou para viver, mas sempre tinha um profissional perto para dar toda a retaguarda necessária. Além de carinho, conforto e amor ao próximo”, finalizou.

Fonte: São Carlos Agora

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