SP confirma casos de coronavírus com a variante do Amazonas

Casos da nova cepa detectada no Amazonas encontrados em São Paulo são importados, porque ocorreram em pessoas com histórico de viagem ou residência em Manaus, segundo a pasta.

A Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo confirmou nesta terça-feira (26) os três primeiros casos no estado da nova variante do coronavírus identificada inicialmente em Manaus, no Amazonas. Segundo cientistas, esta nova variante pode ter maior potencial de transmissão.

A confirmação foi feita pelo Laboratório Estratégico do Instituto Adolfo Lutz, que é vinculado à pasta estadual. É a primeira vez que a variante do Amazonas foi confirmada em outro estado do Brasil.

A presença da nova variante foi detectada em amostras de três pacientes que tiveram Covid-19 e que passaram por atendimento em serviços da rede pública de saúde em São Paulo, com histórico de viagem ou residência em Manaus.

Segundo a secretaria, os vírus sequenciados são da linhagem P.1 e possuem mutações em posições do gene que codifica a proteína spike. Esta proteína é responsável pela maneira como o vírus se liga às células do corpo humano.

Apesar dos indícios de que mudanças na proteína spike podem facilitar a propagação do coronavírus, ainda não há comprovação científica de que a variante de Manaus seja mais transmissível em comparação com a versão do vírus que predomina no país.

Variante inglesa em SP

No início do mês de janeiro, a Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo confirmou os dois primeiros casos no estado da nova variante do coronavírus identificada inicialmente no Reino Unido.

Um dos casos confirmados é de uma mulher residente de São Paulo de 25 anos, que teve contato com viajantes que passaram pelo Reino Unido. Ela começou a apresentar sintomas como dor de cabeça, dor de garganta, tosse, mal estar e perda de paladar no dia 20 de dezembro, e realizou o teste do tipo PCR em 22 de dezembro.

O outro paciente é um homem de 34 anos, que a secretaria informou que ainda investiga o histórico do caso, os sintomas e seu local de moradia.

Ambas as contaminações são da linhagem B.1.1.7 do vírus, variante que já foi registrada em pelo menos outros 17 países. Ela tem mutações que afetam a maneira como o vírus se fixa nas células humanas e é 56% mais contagiosa.

Ainda de acordo com o Instituto Adolfo Lutz, que fez a análise das amostras, “as sequências realizadas pelo Lutz foram comparadas e mostraram-se mais completas que a primeira identificada pelo próprio Reino Unido”. O sequenciamento genético foi compartilhado com pesquisadores de todo o mundo através de um banco de dados online e mundial.

Preocupação com testes

Quando a variante inglesa foi encontrada em São Paulo, o secretário de Saúde disse que o mapeamento dos deslocamentos dos pacientes suspeitos, aliados aos testes já realizados no país, são estratégias fundamentais para identificar precocemente a presença de uma nova variante do vírus no país.

“Nós temos a associação dos nossos testes, que vão detectar o vírus e, para que a gente saiba se muitos deles são mutantes ou não, a história clínica é fundamental, de saber se [o paciente] teve contato com alguém que esteve no Reino Unido ou na comunidade europeia. A história clínica é fundamental para embasar e para que as equipes médicas possam estar orientando os laboratórios a terem todo o cuidado em uma análise mais criteriosa”.

No final de dezembro, o laboratório Dasa disse trabalhar com o Instituto de Medicina Tropical da USP para gerar material que permita testar a eficiência de alguns tipos de testes do coronavírus.

A preocupação da empresa é que alguns atuais possam apresentar falsos negativos – quando uma pessoa está doente mas o exame não aponta a presença do vírus.

“Alguns testes de imunologia e de sorologia que só identificam a proteína S podem apresentar resultados falso negativos nos diagnósticos dessa nova variante”, explicou o diretor médico da Dasa, Gustavo Campana.

“Estamos antecipando a avaliação para definir os exames que sofram menos interferência em seu desempenho de diagnóstico, numa eventual expansão desta variante no Brasil”, acrescentou.

Para a cientista Ester Sabino, do IMT da USP, a nova variante reforça a necessidade da quarentena.

“Dado seu alto poder de transmissão, esse resultado reforça a importância da quarentena, e de manter o isolamento de 10 dias, especialmente para quem estiver vindo ou acabado de chegar da Europa”, disse em entrevista à em dezembro.

(G1)

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