Prefeitura e USP apresentam diagnóstico de sistemas do Integrasanca em evento na USP
O auditório Luiz Antônio Fávaro, no Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP São Carlos, recebeu nesta sexta-feira (18/09) um evento que reuniu Prefeitura e universidade para apresentar o andamento do projeto IntegraSanca, iniciativa de integração de dados municipais conduzida pelo Centro de Ciência para o Desenvolvimento. Também foram apresentados o sistema de gestão da Secretaria Municipal de Educação e os dados levantados pelas secretarias de Cidadania e Assistência Social e de Saúde.
Durante o encontro, a Prefeitura apresentou formalmente aos pesquisadores da USP os dados coletados pelo IntegraSanca, entregando à equipe acadêmica o material que vai basear o desenvolvimento das soluções de integração propostas pelo projeto.
O levantamento feito pela Comissão Especial de Governança de Dados Municipais mapeou 101 softwares em uso na administração municipal. Do total, 42 foram desenvolvidos internamente, 31 são externos ou contratados e 28 estão obsoletos ou abandonados, ainda consumindo recursos de manutenção.
O diagnóstico também identificou fragilidades no armazenamento de dados: 11 secretarias ainda dependem de arquivos físicos e 9 usam planilhas soltas sem backup.
Com base nesse retrato, a comissão apresentou recomendações organizadas em seis eixos: uma política unificada de Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), o fim do uso de papel em processos administrativos, adoção de nuvem corporativa homologada, governança de planilhas, entre outros temas.
A Secretaria Municipal de Educação apresentou o modelo adotado para sua nova plataforma de gestão: um ERP especializado em educação, mantido por equipe própria de Tecnologia da Informação dentro da Secretaria, com a empresa contratada responsável pelo desenvolvimento técnico dos módulos. O sistema, batizado DemandaNet, vai integrar dez frentes da rede municipal, do planejamento de vagas à gestão da vida funcional docente.
A Secretaria de Cidadania e Assistência Social apresentou os dados dos programas sociais do município, e a Secretaria de Saúde mostrou os dados de dispensação de medicamentos nas farmácias municipais e do prontuário eletrônico dos pacientes.
A professora Cristina Aguiar, pesquisadora da USP e uma das coordenadoras do projeto, descreveu a situação atual dos sistemas municipais. “Existem diversos sistemas que não se conversam, os dados que estão nesse sistema são totalmente heterogêneos, no sentido que eu posso encontrar o mesmo dado em diferentes lugares, com valores diferentes”.
Segundo Cristina, o IntegraSanca busca resolver esses conflitos antes que a Prefeitura precise gerar um relatório ou tomar uma decisão. “A ideia é já ter esses conflitos resolvidos de antemão, para que, no momento de gerar um relatório ou tomar uma decisão, os dados estejam consistentes e mais apurados”, afirmou. A pesquisadora destacou ainda que o projeto prevê a transferência de conhecimento da academia para a Prefeitura, de modo que a equipe municipal continue operando os sistemas após o fim do projeto.
A pesquisadora Kalinka Castelo Branco resumiu o diagnóstico de forma direta. “Temos muitos dados, mas pouca informação, porque quando conseguimos integrar esses dados, conseguimos gerar uma informação específica para a população e também para o gestor, para a tomada de decisão”. Para ela, o resultado no médio prazo deve ser “uma Prefeitura mais resiliente, uma cidade mais inteligente e um retorno para a população de um modo mais efetivo”.
O secretário adjunto de Cidade Inteligente, Cristiano Pedrino, classificou a iniciativa como pioneira. “Conseguir integrar esses dados para transformar as políticas públicas da cidade de uma forma baseada no que temos nos sistemas, isso nunca aconteceu, nunca tivemos um projeto e uma proximidade como estamos tendo no momento com a FAPESP, com a USP, com a UFSCar e todas as demais universidades”, disse.
O prefeito de São Carlos, Netto Donato, classificou o trabalho como “de excelência”. Segundo ele, a integração de bases como as de saúde e educação, prevista pelo IntegraSanca, deve viabilizar serviços como o agendamento digital de consultas médicas e matrículas escolares, dando à população mais transparência para acompanhar a gestão pública.
Netto observou que a arquitetura de integração de dados opera nos bastidores da gestão municipal, sem visibilidade imediata para a população, mas com efeito direto sobre a eficiência dos serviços prestados.
Como exemplo prático do custo operacional gerado pela ausência de um sistema integrado, o prefeito citou que, somente no mês anterior, mais de mil consultas nas unidades de saúde do município registraram faltas de pacientes sem aviso prévio. Segundo ele, com uma base de dados unificada e canais de comunicação integrados com a população, essas vagas poderiam ser identificadas e realocadas em tempo real para outros pacientes em situação de maior urgência.
Também participaram do evento a secretária de Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia, Paula Knoff, de Cidade Inteligente e Transparência, Mateus de Aquino e de Gestão da Cidade e Infraestrutura, Leonardo Lázaro.






“