Céu continua nublado cidade de SP por causa da fumaça dos incêndios do Pantanal

Nebulosidade ocorre devido a concentração de poluentes e fuligens de queimadas vindas do Centro-Oeste do país. SP pode ter chuva negra neste fim de semana.

O céu da cidade de São Paulo amanheceu novamente com nebulosidade e cor alaranjada neste sábado (19) devido a poluição concentrada provocada pelas fuligens de queimadas e incêndios florestais do Pantanal, no Centro-Oeste do país, e de países vizinhos, como Bolívia e Paraguai, segundo o Climatempo.

A qualidade do ar está bem comprometida em São Paulo, de acordo com a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb). Nesta manhã, quatro das estações de medição apresentam índice muito ruim e a maioria está ruim. A qualidade do ar é classificada em cinco estágios: boa, moderada, ruim, muito ruim e péssima.

“Temos uma grande concentração de poluentes em todo o estado de São Paulo e na região metropolitana também”, afirmou a meteorologista Daniela Freitas.

De acordo com ela, a dispersão dos poluentes deve ocorrer com a ajuda da chuva que está prevista para ocorrer entre o fim da tarde e início da noite deste sábado após a passagem de uma frente fria pela região.

A “chuva escura” ou “chuva negra” pode ocorrer até este domingo (20) e a água coletada pode ser acinzentada, em função do acúmulo de poluentes.

Uma mudança na direção do vento também diminui a concentração de poluentes e permite que, a partir de segunda-feira (21), a fumaça saia do estado de São Paulo.

Céu amanheceu alaranjado neste sábado (19) na cidade de SP devido a concentração de poluentes de queimadas — Foto: Bruno Rocha/Estadão Conteúdo

CGE

De acordo com o Centro de Gerenciamento de Emergências (CGE), órgão da Prefeitura de São Paulo, há restrição de visibilidade em alguns bairros da capital paulista.

Na madrugada, os termômetros registraram média de 18,6°C e a expectativa é que a máxima atinja os 29°C. Os índices de umidade do ar ainda seguem baixos e os menores valores devem ficar em torno dos 32%. A aproximação de uma frente fria começa a mudar as condições do tempo no fim dia.

A passagem de uma nova frente fria pelo litoral de São Paulo no domingo (20) muda o tempo em todo o estado paulista. O sistema vai trazer chuvas e provocar queda das temperaturas no início da próxima semana. A temperatura varia entre 15ºC e 19ºC e a umidade do ar fica acima dos 60%.

Imagens de satélite mostram fumaça vindo do Centro-Oeste chegando em SP neste sábado (19) — Foto: CIRA/RAMMB

Chuva negra

A fuligem deve ser originária não apenas do fogo que atinge o Pantanal, mas também das queimadas que ocorrem no interior do estado e de países vizinhos. Nesta sexta, a capital paulista teve pancadas de chuva isoladas, mas não foram suficientes para a dispersão das partículas de poluentes. A chuva negra deve ocorrer até domingo (20) quando a cidade pode ter chuva mais intensa devido ao calor com a aproximação de uma frente fria.

Neste ano, os focos de incêndio em SP mais do que dobraram, em comparação com 2019. O aumento ocorreu especialmente nos meses de agosto e setembro.

Em 19 de agosto de 2019, o fenômeno da chuva negra ocorreu na cidade de São Paulo por conta de queimadas que ocorriam na Amazônia. Análises técnicas feitas por duas universidades mostraram que a água da chuva de cor escura coletada por moradores da capital continha partículas provenientes de queimadas. Nas redes sociais, moradores da Grande São Paulo postaram fotos da água da chuva escura.

Água escura coletada em casa de São Mateus, na Zona Leste de SP — Foto: Leandro Matozo/GloboNews

O teste feito pelo Instituto de Química da Universidade de São Paulo (USP) identificou a presença de reteno, uma substância proveniente da queima de biomassa e considerada um marcador de queimadas, na água da chuva coletada na segunda-feira.

Já o exame realizado pela Universidade Municipal de São Caetano (USCS) mostrou que a concentração de material particulado, ou seja, de fuligem, foi sete vezes maior do que a registrada na água de uma chuva normal.

Enquanto os pesquisadores da USP analisaram a identificação de reteno, que é um marcador de queimadas, a análise da USCS verificou quantidade de fuligem 7 vezes mais que o normal e a presença de sulfetos 10 vezes superior à média. A substância é proveniente da queima de combustíveis fósseis e queimadas.

Céu na região do Cambuci na manhã deste sábado em São Paulo — Foto: Vitor Sorano/G1
Céu encoberto na Cidade Ademar, Zona Leste de São Paulo — Foto: Olívia Henriques/G1
Céu na Barra Funda na manhã deste sábado, Zona Oeste de SP — Foto: Luciana Oliveira/G1
Céu encoberto em Santo Amaro, na Zona Sul de São Paulo, por causa da concentração dos poluentes — Foto: Ardilhes Moreira/G1

(G1)

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